CORREIO DO POVO POLÍCIA TERÇA-FEIRA, 12 de agosto de 2025 |15
policia&correiodopovo.com.br Pai e filha são velados na Ilha dos Marinheiros Durante as cerimônias de despedida, filho de Sheila e do homem que atirou contra ela falou sobre ameaças anteriores: “foi premeditado”
s corpos de Sheila Lopes da Silva, 41 anos, e do pai Rogério Santos da Silva, 61, foram velados ontem na Ilha Grande dos Marinheiros em Porto Alegre. O sepultamento realizou-se no Cemitério São Pedro em Eldorado do Sul. No domingo, na Ilha dos Marinheiros, ambos foram mortos a tiros por um homem de 56
anos, ex-companheiro de Sheila que permanecia hospitalizado sob custódia ontem. Um vizinho que tentou ajudar as vítimas também foi baleado e tinha quadro considerado crítico.
O casal teve dois filhos. O mais velho, de 20 anos, é militar do 3º Regimento de Cavalaria.
Na data do crime, domingo, estava em recesso de Dia dos Pais e por isso presenciou a cena. Paulo Fernando Rodrigues Filho conta que o pai abordou à mãe com suposto objetivo de conversar.
Os dois teriam caminhado até a casa do pai dela, onde foi atingida por disparos de pistola no rosto e tórax. Ele relembra que o avô tentou defender Sheila,
mas acabou baleado e morreu.
“Fiz de tudo para evitar, mas meu pai disse que me mataria caso eu tentasse impedi-lo. Só consegui socorrer minha mãe após a munição da arma acabar. Na hora senti o pulso muito PESQUISA DA Pucrs fraco. Era tarde demais”, recordou Paulo Fernando. Segundo familiares, Sheila era confeiteira e o ex-marido, segurança, além de ser proprietário de um bar ao lado da casa do ex-sogro.
Após mais de duas décadas casados, viviam a separação havia seis meses e ele não teria aceitado o fim do relacionamento, disseram parentes. Além de Sheila e seu pai, ainda foi atingido por tiros um rapaz da vizinhança de
20 anos que passava no local.
Paulo Fernando observou que o pai já havia feito ameaças à mãe e ela não tinha medida protetiva. “Minha mãe costumab A Familiares e amigos compareceram ao velório na manhã de ontem MARCEL HOROWITZ / ESPECIAL / CP A va dizer que nada impediria meu pai de matá-la caso estivesse decidido a isso. Foi assassinato premeditado. Tenho receio que ele alegue insanidade e consiga ser enviado a um instituto psiquiátrico ao invés da prisão”,
desabafou. Segundo a BM, o atirador foi atingido por tiro de raspão no rosto, se rendeu e entregou a pistola. A Polícia Civil afirma que ele ficou ferido ao atentar contra a própria vida. “Meu pai não atirou contra si mesmo.
Quando disse que faria isso, a arma já estava sem munição. E é um exímio atirador, jamais teria errado um disparo”, avaliou.
Percepção de violência afeta 20% dos jovens Um estudo da Pucrs mostra que, no Rio Grande do Sul,
20,6% dos jovens dizem ter ocorrido trocas de tiros ou brigas com armas de fogo no entorno de seus domicílios de moradia.
Os dados da segunda edição do Boletim — Juventudes assinala os desafios para este grupo.
Hoje é celebrado o Dia Internacional da Juventude, que no Brasil é formalmente definida na faixa dos 15 aos 29 anos. Em relação à ocorrência de assassinatos, o índice é de 12,4%. O número se eleva para 20,2% nos casos de assaltos ou roubo com violência e chega a 25,8% no caso da venda de drogas ilegais no entorno do domicílio.
“E fundamental distinguir entre a percepção do risco e o risco real de vitimização. A percepção que mensuramos no relatório refere-se à forma como os jovens interpretam a sua própria segurança, influenciada por vivências pessoais, ambiente social, informações que circulam à sua volta e fatores individuais como gênero, etnia ou situação socioeconômica”, afirmou a professora Patrícia Espíndola de Lima Teixeira, coordenadora do Observatório Juventudes da Pucrs, citando ainda que na percepção dos jovens a violência é parte da rotina. O Boletim — Juventudes é uma publicação coordenada pelo Observatório Juventudes da Pucrs em parceria com o Pucrs Data Social,
GPESC e Observatório da Segurança Pública da Pucrs. Os dados são todos provenientes da PNAD Contínua, do IBGE.
m No RS 19,7% dos jovens se dizem inseguros no entorno de suas moradias. O percentual vai a 37,6% quando se trata do período noturno. No caso das jovens mulheres, a sensação de insegurança chega a 42,7% à noite, mesmo nas proximidades do próprio domicílio.
m À sensação de insegurança à noite é muito menor entre joVens que moram em áreas rurais, já que entre estes a fatia é de 17%. Entre moradores de regiões metropolitanas o índice chega a 56,9%.
OS ÍNDICES Fazer parte da rotina, no entanto, não significa ausência de medo ou sensação de insegurança. O professor Andre Salata,
coordenador do Pucrs Data Social, afirma também que “a percepção da violência é estratificada por classe, raça, gênero e pelo local de moradia”. Jovens residentes em áreas urbanas, em especial regiões metropolitanas,
apresentam sensação de insegurança muito maior.
m Os entrevistados consideram altas ou médias as chances de serem assaltados ou roubados com violência na rua (33,8%),
serem assaltados no transporte coletivo (33,5%), terem carro,
moto ou bicicleta roubados com violência (30,7%) ou ainda serem vítimas de bala perdida
(13%) ou confundidos com bandidos pela Polícia
m O estudo ainda mostra que
78% dos jovens dizem confiar na Polícia Civil, 75,1% na Polícia Militar, 68,6% na Guarda Municipal e 59,5% na Justiça.
CRIME EM SANTOS Sargento mata companheira,
filha de 1 ano e se sulcida A mulher de 21 anos que foi assassinada pelo companheiro em Santos, no litoral de São Paulo, morreu abraçada à filha de 1 ano, que foi morta junto com ela. De acordo com a Polícia Civil, a forma como os corpos foram encontrados mostram que a mãe, Gabrielly Simões Silva, tentou proteger a menina quando foi atacada. O autor dos crimes, Pedro Henrique Martins dos Santos, se suicidou em seguida, segundo a Polícia. Ele era sargento do Exército. Em nota o Comando Militar do Sudeste lamentou o ocorrido e informou que, por não se tratar de crime militar, as investigações serão feitas pela Polícia Civil.
A tragédia se deu na madrugada do Dia dos Pais na residência da família, no Morro da Nova Cintra, na cidade da Baixada Santista. A Polícia Militar, acionada por vizinhos, encontrou o corpo de Gabriela de bruços sobre a cama, abraçando a menina Jade Caroline. As duas tinham ferimentos à bala. O corpo do sargento estava na cama,
encostado na parede, com o pescoço pendendo para o lado.
Uma pistola 9 mm foi encontrada ao lado do corpo de Pedro.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a arma foi apreendida e encaminhada para perícia. O caso foi registrado como feminicídio seguido de suicídio na Central de Polícia Judiciária. A autoridade policial aguarda os laudos necroscópicos e da perícia para determinar a dinâmica e a causa das mortes.
FERNANDA BASSÕA / ESPECIAL / CP Estabelecimentos de ensino estiveram fechados na sexta-feira e ontem AULAS EM NOVO HAMBURGO Policiamento reforçado no retorno Os 23 mil alunos da rede municipal de Novo Hamburgo devem retomar as atividades hoje nas 91 instituições de ensino da cidade. As escolas do município permaneceram fechadas por orientação do prefeito Gustavo Finck diante da suspeita de ataque com transmissão ao vivo que chegou ao conhecimento das autoridades. As informações vieram da deep web, parte da Internet que não é vista em sites de busca convencionais.
Por precaução e para manter a segurança dos alunos e profes-
'OPERAÇÃO POR UM FIO'
sores, o prefeito havia cancelado as aulas na sexta-feira e ontem. Sobre as investigações do suposto ataque, a Polícia Civil informou que segue monitorando os acontecimentos. O secretário municipal de Educação de Novo Hamburgo, André Luís da Silva,
reiterou o reforço na segurança pública no entorno das escolas.
“Tivemos uma reunião com diretores, coordenadores e orientadores. Vamos trabalhar uma cartilha”, acrescentou. No conteúdo do material estarão temas como violência e segurança.
Cinco presos na segunda fase A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas
(Draco) de Canoas, realizou ontem a segunda fase da Operação Por Um Fio, uma ofensiva contra agiotagem, extorsão e associação criminosa. Trinta policiais civis cumpriram 12 medidas cautelares, sendo seis mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão. Cinco pessoas foram presas.
As equipes estiveram em Canoas, Cachoeirinha, Alvorada e Caxias do Sul. Uma arma foi apreendida, além de dinheiro e munição. A investigação teve início após denúncia de uma empresária da região que relatou ter feito empréstimos com agiotas para salvar seu negócio após as Enchentes de 2024. Os juros tornaram insustentável o pagamento e ela passou a sofrer ameaças de morte.

