O GLOBO | Terça-feira 19.8.2025
Economia | 19
O dia que o setor elétrico passou perto de um colapso
“Excesso' de energia solar e leilões parados criam risco para o sistema. ONS aponta necessidade de mudanças regulatórias MANOEL VENTURA manoel.ventura&bsb.oglobo.com.br BRASÍLIA N o domingo do Dia dos Pais,
no início deste mês, o setor elétrico brasileiro passou por um estresse na sua operação que poderia levar a um colapso momentâneo. Foi uma situação causada por um excesso de geração de energia por painéis solares e a falta de controle que o operador do sistema tem sobre esses aparelhos. A situação chamou a atenção de técnicos e reforçou, segundo eles, a necessidade de uma revisão no modelo em vigor hoje no país.
O período mais crítico foi entre 13h e 13h30 daquele domingo, mostra documento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ao qual O GLOBO teve acesso. Naquele momento, a geração distribuída (a produção de energia descentralizada, como a feita em painéis solares residenciais),
foi respONSável por 37,6% da demanda. O cONSumo estava baixo por conta da data, que reúne pessoas e desliga grande parte da indústria.
Com a elevada geração de energia em telhados, o ONS reduziu a produção de hidrelétricas e termelétricas e cortou 98,5% do potencial de geração de energia eólica e solar centralizadas (em usinas) estimado para aquele horário —o comando dado pelo operador,
aliás, foi para paralisar completamente a produção dessas usinas renováveis.
Restaram apenas 2 gi gawatts (GW) de geração flexível (aquela que o operador decidir como acionar seguindo uma ordem de preferência)
para ser manejada pelo ONS naquele momento. Se essa margem fosse cONSumida, o operador teria que violar restrições técnicas, como operar usinas abaixo do mínimo seguro ou desrespeitar limites técnicos delinhas detransmissão, coisas que comprometem a segurança do sistema. Um risco para o sistema.
Deacordo com a regra atual,
o ONS não tem controle sobre a quantidade de energia que entra por cONSumidores individuais que passam a produzir energia em casa. Ele não sabe quanto será produzido, mas essa fonte é prioritária no sistema. Ou seja, quando a presença dela sobe, a de outras fontes é revista.
Alémdisso, o ONS precisa manter uma quantidade de usinas conectadas e operando para garantir o controle de potência reativa e inércia do sistema, visando a segurança da operação elétrica Mudança. Energia gerada por cONSumidores é prioritária no sistema. O ONS avalia que é preciso rever o modelo
— o que não é possível com sistemas descentralizados.
OONSfezodocumento para alertar para a necessidade de mudanças regulatórias que possibilitem coordenar de modo mais efetivo os recursos energéticos distribuídos. Segundo o órgão, isso é necessário “para assegurar a confiabilidadedo atendimento eletroenergético” do sistema, mesmo na ocorrência de cenários críticos.
O evento do Dias dos Pais se deu com um cONSumo muito baixo, mas o contrário é desafiador. Em outros momentos da semana, existe uma alta demanda de energia e, por vezes,
JONNE RORIZ/BLOOMBERG/29-4-2021
=S queda na geração solar e eólica por questões naturais. Seria necessário fazer leilões de energia recorrentemente, para garantir a segurança do sistema, mas isso está parado dentro do governo.
Asduas situações reforçama necessidade do avanço de uma agenda estrutural para o setor elétrico e a inserção de Novas tecnologias como baterias,
além derressaltar os desafios da transição energética no país.
A discussão passa pelo debate sobre como a regulação e a tecnologia precisam se adaptar a essa nova realidade, para garantir a segurança operacionalnos momentos críticos.
CONSignado CLT: governo fará migração automática São 4 milhões de empréstimos antigos das carteiras dos bancos. Transferência começará este mês e vai terminar em novembro GERALDA DOCA geralda&bsb.oglobo.com.br BRASÍLIA governo Lula vai fazer a migração automática de cerca de quatro milhões de empréstimos cONSignados antigos das carteiras dos bancos concedidos aos trabalhadores do setor privado para a nova plataforma Crédito do Trabalhador.
Segundo acordo entre a Dataprev, estatal processadora de dados, e o Ministério do Trabalho, esse processo começa em 21 de agosto e só deveterminar em novembro.
Umdos objetivos é facilitaro acesso à nova sistemática, que dispensa convênio entre a empresa e o banco para fazer o empréstimo com desconto em folha. O próprio trabalhador pode acessar um aplicativo do celular e escolher a instituição que oferecer melhores condições, taxa de juros e prazo de pagamento.
COMITÊGESTOR O Ministério do Trabalho recebeu queixas de trabalhadores que tentaram renegociar o cONSignado antigo com juros menores e tiveram dificuldades com bancos credores.
Desde março, quando o sistema começou a funcionar, a renegociação de contratos antigos para obter um desconto nos juros, por exemplo, ou a concessão de um novo empréstimo só são possíveis via plataforma. E, apesar da conclusão de todas as etapas do programa no fim de julho, trabalhadores com contratos antigos enfrentam dificuldades para acessar a modalidade.
A migração automática vai resolver o problema, explicou um técnico do governo a par das discussões. O novo modeloveio para facilitar o acesso ao cONSignado, antes focado em convênios com grandes empresas e empregados com maior estabilidade no emprego.
Alémdisso, até o fim do mês,
Já pensou em colher o seu próprio morango?
Antes da febre do doce da temporada, sítios abrem espaço para colheita turística' no Espírito Santo
CGOBORU . AL ELIANE SILVA*
economia&oglobo.com.br CASTELO(ES)
ma cestinha e uma tesoura são suficientes para se viver uma experiência deliciosa em plantações de morangos nas Montanhas Capixabas, no sul do Espírito Santo, com ou sem a “febre” do morango do amor. A colheita da fruta, com pagamento por quilo, virou Foco. Turistas levam morangos maduros, e o que sobra vai para supermercados É A É FAA ;
atração turística na região.
No município de Castelo, a um quilômetro da Igreja de Forno Grande, fica o sítio Empório do Morango, da família Kuster, que recebe visitantes nos fins de semana e feriados para a prática da colheita de morangos frescos. Outros quatro sítios na região oferecem a opção “colha e pague”, e alguns abrema partir de quarta-feira.
No Empório, a família começou a adotar o sistema na pandemia e praticamente dobrou a renda mensal dos Kuster, que plantam morangos há 40 anos. Antes, o casal Joelma Barbosa e José Imirim Kuster cultivava morangos no chão e entregava a produção a supermercados locais,
cobrando R$ 10 por quilo.
Agora, cultivam 26 mil plantas hidropônicas em 20 estufas, ladeadas por uma perfumada plantação de lavanda. A flor aromática atrai milhares de abelhas, que garantem a polinização do morango. Graças ao bom planejamento da produção, há frutas maduras nas estufas ao longo de todo o ano.
Durante o inverno, o ciclo entre o plantio e a colheita do morango estende-se por 90 dias. No verão, bastam 60 dias.
Jefferson e Joyce, filhos do casal, formaram-se em Administração e Direito, respectivamente, e voltaram para o campo para ajudar nas atividades do sítio. Os Kuster recebem de
500 a 600 pessoas por fim de semana para a colheita do morango. Cada quilo que os visitantes colhem sai por R$ 35.
Jefferson conta que os turistas levam quase todos os morangos maduros e que praticamente não há desperdício na colheita. Os plantios mais novos geram morangos maiores ebem doces, de até 92 gramas,
mas o peso médio de cada fruta é de 30 gramas. O que sobra vai para os supermercados.
*A jornalista viajou a convite do Sebrae-ES será instalado o Comitê Gestor do Crédito do Trabalhador,
formado por representantes dos ministérios do Trabalho,
da Fazenda e da Casa Civil. Caberá a esse colegiado definir o teto de juros e penalidades para juros abusivos. Instituições com taxas muito acima da média serão alvo do Comitê.
Em quase cinco meses de funcionamento, o Crédito do Trabalhador movimentou R$
27,5 bilhões, beneficiando
3,878 milhões de trabalhadores. Já são 5,557 milhões de contratos com taxa média de juros de 3,58% ao mês. Segundo o Ministério do Trabalho,
60% dos empréstimos são de trabalhadores com renda de até quatro salários mínimos.
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